A nova terapia é direcionada a um subtipo agressivo do câncer de pulmão. A aprovação é primeiro avanço em 30 anos no tratamento inicial desse tipo de tumor

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente um novo tratamento para pacientes com um tipo específico de câncer de pulmão. A aprovação é primeiro avanço em 30 anos no tratamento inicial desse subtipo conhecido como câncer de pulmão de pequenas células, que é extremamente agressivo.

Um estudo realizado para comprovar a efetividade mostrou que 52% dos pacientes tratados com o medicamento em combinação com a quimioterapia estavam vivos após um ano. O resultado pode ser considerado significativo já que o câncer de pulmão em geral apresenta taxa de mortalidade de 87%. Até agora, a única opção disponível para tratar a doença era a quimioterapia clássica.

imunoterapia atezolizumabe, produzida pela farmacêutica Roche, atua no bloqueio do PD-L1, proteína encontrada no tumor que impede o sistema imunológico de atacar o câncer. A substância já é utilizada no Brasil para tratar câncer de pulmão de não pequenas células e tumores no sistema urinário. Além disso, no mês passado a Anvisa aprovou seu uso para câncer de mama triplo-negativo, que também é agressivo.

O câncer de pulmão de pequenas células corresponde a 15% dos casos e, entre esses, 70% são de doença extensa. De acordo com especialistas, essa modalidade da neoplasia é mais comum entre fumantes. A doença geralmente começa nos brônquios e se desenvolve rapidamente, criando grandes tumores que podem se espalhar para outras partes do corpo. Entre os sintomas mais comuns estão dor no tórax, tosse (normalmente com sangue) perda de peso sem causa aparente e cansaço.

O estudo

Para avaliar o desempenho do atezolizumabe, os pesquisadores recrutaram 403 pacientes que apresentavam esse subtipo de câncer de pulmão. Os participantes foram divididos em dois grupos: um para receber a terapia combinada (atezolizumabe + quimioterapia) e outro para receber apenas a quimioterapia.

Os resultados mostraram que 31% dos pacientes do primeiro grupo não mostraram piora da doença em 6 meses, embora essa taxa tenha caído para 13% após 12 meses. Já no grupo do placebo, esses números foram de 22% e 5%, respectivamente. O levantamento ainda apontou que, um ano após o tratamento, 52% continuaram vivos.

Os achados do estudo foram publicados no final do ano passado na revista New England Journal of Medicine

Câncer de pulmão

Segundo o Inca, o câncer de pulmão é o mais comum em todo o mundo, sendo responsável por 13% dos novos casos. No Brasil, são mais de 30 000 casos por ano. Entre brasileiros, ele é o segundo mais comum nos homens e o quarto entre mulheres. Os dois principais tipos da neoplasia são câncer de pulmão de células não pequenas e o câncer de pulmão de células pequenas.

O câncer de pulmão apresenta taxa de mortalidade de 87%. Já a taxa de sobrevida em cinco anos fica em torno de 18% – no caso do diagnóstico em estágio inicial ela sobe para 56%. O tabagismo é principal fator de risco para a doença, assim como o fumo passivo. O Inca ainda revela que 85% dos casos diagnosticados estão associados ao consumo de derivados do tabaco, como cigarros, charutos  e cachimbos. 

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