Um simples exame de sangue pode detectar oito tipos diferentes de câncer com eficácia, de acordo com um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e publicado no periódico Science Translational Medicine na quarta-feira (7).

A ideia não é nova. Em janeiro deste ano, uma equipe de cientistas da Universidade Joghn Hopkins criou um exame apelidado de CancerSEEK, que rastreia marcadores de tumores e descobre quais substâncias alteradas estão na corrente sanguínea. Dessa forma, ele consegue identificar câncer de mama, pulmão, colorretal, ovário, fígado, estômago, pâncreas e esôfago. No entanto, sua eficácia é de 70% e ele foi testado apenas em tumores de estágio inicial, o que dificulta a detecção.

Dessa vez, os pesquisadores de Cambridge desenvolveram uma abordagem diferente que não requer sequenciamento genético demorado e é potencialmente mais precisa.

Eles descobriram que os fragmentos de DNA liberados dos tumores frequentemente têm tamanhos diferentes dos fragmentos não cancerosos no sangue. Por exemplo, os fragmentos de DNA liberados pelos cânceres de mama, intestino e ovário tendem a ser mais curtos.

Ao olhar para fragmentos de DNA característicos de tumores em amostras de sangue, os investigadores foram capazes de detectar 94% dos cânceres de mama, intestino, ovário, pele, e das vias biliares em 68 pacientes, com uma taxa de falsos positivos de 2,5%.

Eles também foram capazes de identificar 65% dos cânceres de pâncreas, rins e cérebro em outros 57 pacientes.

No momento, a maioria das ferramentas de rastreamento do câncer está limitada a áreas específicas do corpo –mamografias para detectar câncer de mama, por exemplo. A ressonância magnética e tomografia computadorizada em todo o corpo podem identificar os tumores, mas apenas quando eles crescem o suficiente para serem vistos.

O sequenciamento genético do sangue, como é feito no CancerSEEK, para ver se o organismo contém algum marcador de DNA de tumor revelador, é como procurar agulhas em um palheiro, segundo Florent Mouliere, responsável pelo novo estudo. De acordo com ele, um grande volume de DNA não canceroso também circula no sangue, dificultando a busca.

Em teoria, o novo teste poderia ser usado para detectar todos os tipos de tumores, diz Mouliere, e é simples o suficiente para qualquer laboratório comercial, o que significa que pode estar disponível para o público no futuro próximo.

(Fonte: BOL Notícias)